Nada como ouvir um rap para clarear as idéias na hora da bronca. Mas rap nada tem a ver com minha chiadeira de hoje. Resumão do que você vai ler: outro processo idiota para idiotas em que caí.
Já quero antecipar aqui que, escolado como estou, ultimamente tenho "dado sorte". Isso quer dizer que as filtragens que eu mesmo tenho feito quanto aos contatos que recebo têm rendido frutos razoáveis: note que já tem um tempo desde meu último post-reclamação. 
Este de hoje, é um dos típicos "processos de seleção" que classifico no nível AMADOR. Isso para não ofender, é claro, prefiro sempre acreditar que a maioria das coisas que me enervam devem-se à burrice extrema de terceiros, e não à pilantragem, apesar desta chance ser sempre razoável.
Recebi ontem um contato por e-mail, referente a um curriculum que eu havia enviado há algumas semanas. Retornei imediatamente por celular, trocamos algumas palavras, respondi algumas poucas perguntas de um cara bastante simpático. Enquanto falava com ele, acessei o site da empresa (como sempre faço), nada demais, mas também não era um total lixo a ponto de me espantar e me fazer desconfiar. Acabei marcando uma entrevista para a tarde de hoje, caindo fácil na simpatia do camarada. Admito que eu devia ter sido mais atencioso, me dou metade da culpa neste aqui.
Hoje de manhã, eu fui a uma entrevista muito legal. Mesmo. A "consultoria" não era pequena, era miniatura. Mas o cara que me entrevistou foi de uma simpatia e uma sinceridade sem par. Explicou tudo sobre o projeto, sobre o cliente, sobre o que esperava do profissional, ou seja, foi direto ao assunto, não ficou me enrolando e, pasmem! - me mostrou até uma cópia do contrato que eles costumam praticar com os consultores que trabalham com eles! Isso foi inédito! Provavelmente ainda sob o efeito dessa primeira entrevista muito agradável, fui confiante demais na tal entrevista da tarde.
Chegando lá, fui recebido pela menina para quem enviei o curriculum inicialmente (o contato foi feito por outro). Diga-se de passagem, jeitosíssima. Aliás, jeitosíssima não... boa mesmo. Não um espetáculo, mas uma visão realmente agradável e animadora para quem está indo fazer entrevista.
Porém, vestida de modo bastante discreto. Antes parasse por aí, e eu tivesse ido embora.
A garota já empunhava uma caneta e algum papel preso a uma prancheta. Me cumprimentou o mais rápido que pôde e já me pediu para sentar ali mesmo na "recepção" e preencher a tal ficha. Isso já foi praticamente um murro na boca, antecipando o que leria então: "ficha pré-entrevista" ou alguma merda do tipo.
Aliás, daqui pra frente, é bem possível que eu escreva alguns palavrões, portanto se você é muito sensível a isso, pode parar de ler.
Percorri rapidamente com os olhos a tal ficha "pré-entrevista", e nada chegou a me emputecer, exceto pelo fato de que a maioria das informações ali pedidas estavam no meu curriculum. Na boa, se eu tenho de preencher essas fichas idiotas, então pra quê caralho que enfio essas mesmas informações no curriculum? Eu respondo: porque empresas INTELIGENTES já fazem o seu cadastro de maneira DECENTE e TECNOLÓGICA, ou seja, não têm preguiça de abrir uma simples planilha do Excel (não pude pensar em um método pior, mas deve haver) que seja, e tabular os dados que eu já forneci com ANTECIPAÇÃO. Fora o ridículo de pedirem filiação (que caralho meu pai e minha mãe têm a ver com meu emprego?), data de emissão do RG, coisinhas assim sem a menor noção. Como eu já abominara o fato de ter de preencher aquela desnecessária ficha, acabei sendo meio lento, e é claro: as informações que achei ridículas, apenas não preenchi.
Mas então veio a melhor parte: o verso da ficha. Era uma tentativa absurdamente tola de tentarem saber quais tecnologias o candidato domina e há quanto tempo. E era exatamente assim: uma lista de linguagens, siglas, metodologias, etc. dividida em 3 colunas, pedindo que você preenchesse a coluna "Tempo". Quero explicar aqui que já há algum tempo tenho total asco a perguntas como "quanto tempo você tem de Windows?", por exemplo. Isso é extremamente ridículo e ineficiente, e é desanimador saber como ainda tem tanta gente envolvido nessa bosta de mercado de informática fazendo esse tipo de pergunta estúpida. Antes de você me perguntar porque eu acho que isso é estúpido, eu quero que você faça o contrário: pare você mesmo e tente pensar porque esse método de questionamento seria inteligente e eficiente.
Primeiro detalhe: tudo que eu conheço já está no meu curriculum (lembra do meu comentário acima?). Então eu já não deveria ter que preencher essa maldita ficha. Mas aí concordarei com o fato de que no meu curriculum não é possível identificar qual a minha experiência com as tecnologias X, Y e Z. Então seja você um entrevistador inteligente e sensível, e consiga essa informação da minha boca... oras, é você quem estudou psicologia, não eu. Se fosse para escrever, eu escrevia em casa e poupava tempo de todo mundo. Aliás, poupava o MEU tempo, esse é o que me interessa.
Como já estava lá, apenas respirei fundo, sentindo meu saco inflar absurdamente, e comecei a preencher a coluna "tempo" com o tempo que eu já conheço de cada uma das tecnologias, o que é uma informação extremamente inútil. Admito que tive de me segurar para não começar a rir sozinho quando me deparei com "dBASE III" e então comecei a escrever "15 anos". Sim, eu conheço dBASE III há 15 anos. Mas não uso mais (graças a Deus) há uns 13.
De repente, aquilo até que ficou divertido, mas a estupidez não tem limites: HTML sob a categoria "linguagens de programação"... ao invés de estar na categoria "designER". Puta que pariu, na boa, mas designer (estava escrito assim mesmo, com "er" no fim) é o fim da picada. 
Ainda haviam outros absurdos. A cada 2 ou 3 tecnologias, eu ficava me perguntando porque ainda continuava ali, e achei a resposta: eu tinha alguma esperança de que melhoraria na hora em que fosse entrevistado. Na verdade, eu não tinha esperança alguma, mas prossegui, não me restavam muitas opções. E eu não queria simplesmente ir embora e ficar na dúvida se a estupidez continuaria. Mas continuou.
A garota voltou (uma visão agradável, ao menos), e então percebi que ela não era a recepcionista da empresa, pois isso não existia ali. Ela era exatamente a "analista de RH". Peço uma pausa a vocês.
Pronto.
O problema não era ela ser a analista, era a merda da empresa nem mesmo ter uma recepcionista que fosse, mas aí olhando direito, vi que também não haveria lugar para se colocar uma. Afinal, era apenas um dos conjuntinhos comerciais de um prédio, sem placa na porta, sem nada que os identificasse. Seria exigir demais.
Perguntou se eu tinha acabado. Ainda faltavam uns 3 ou 4 itens, mas respondi positivamente e deixei assim mesmo. Fomos até a mesa dela, ela olhou a frente da ficha e perguntou se eu tinha alguma dúvida. Respondi com firmeza que não, ela olhou o verso da ficha, repetiu a pergunta, e novamente respondi que não havia qualquer dúvida. Mas não resisti: "mas tenho sugestões". Ela olhou curiosa, e então basicamente repeti os parágrafos acima pra ela, no que se refere aos conhecimentos técnicos. Deixei claro que estava tentando ajudar, mas que aquele era um modo ineficiente demais de se apurar. Ela ainda tentou salvar o trabalho de alguém (ou talvez dela mesmo), dizendo que a ficha tinha a intenção de ser a mesma "tanto para profissionais de plataforma alta, como de plataforma baixa". A resposta era tão ou mais idiota do que a própria ficha, porque era um sinal claro de que ela não havia mesmo entendido o que eu queria dizer. Expliquei a ela que não era sobre isso que eu estava falando, mas sugeri que continuássemos.
Achei que tinha mandado mal, mas foi a melhor coisa que fiz. Ela notou que eu havia assinalado com "Sim" a pergunta sobre o fato de ter restrições financeiras no SPC e/ou SERASA. Nunca me recuso a responder isso, não me importo mesmo, mas achei o fim do mundo de ter de marcar isso em uma droga de ficha estúpida. Ela tentou indagar detalhes, e eu apenas me limitei a confirmar o que havia escrito, e então ela me explicou que como as duas vagas que ela tem são para o Banco X, isso já seria proibitivo. E eu sei que isso era verdade, pois eu já fui abordado este mês por mais umas outras três consultorias que tinham vagas para o mesmo banco.
Fiz questão de comentar "isso poderia ter sido informado antes", e expliquei que já havia sido abordado anteriormente para esse cliente deles. Ela apenas perguntou quem havia entrado em contato comigo, mas isso não resolvia o problema de que eu já havia ido até lá e perdido meu tempo.
A essa altura, eu e ela éramos o puro retrato do desânimo. Ela prosseguiu com a entrevista, provavelmente apenas para apurar mais alguns dados, ou para aproveitar minha presença, e eu respondendo roboticamente. Ambos tornamos o resto desse doloroso e inútil processo bem breve, posso dizer com certeza que foi a entrevista pessoal mais rápida que já fiz. Ela ainda foi gentil ao se despedir, dizendo que ainda havia a opção de que, assim que eu resolvesse esse problema, entrasse em contato com ela para que ela me reincluísse nessa seleção.
Bom... trata-se de um cheque de 16 reais. Acho que vou pagar rapidinho para ver se não perco essa "boquinha" nessa empresa tão bem organizada, cuja "oportunidade" sem dúvida é muitíssimo promissora. 
Eu só tenho UMA boa explicação para que certas consultorias anãs consigam trabalhar com certos clientes: ou o dono é muito bom vendedor, ou - o mais provável - os compradores dessas empresas clientes levam uma grana muito gorda para homologarem esses buracos de rato como fornecedores.
Moral da história: fodam-se, daqui pra frente, as consultorias que não me revelarem por telefone qual é o cliente, detalhes da vaga, etc. Fodam-se, não vou perder meu tempo com situações imbecis. Felizmente, como mencionei antes, tenho tido alguma sorte na filtragem, e tenho comparecido a entrevistas e empresas respeitosas, ainda que nem sempre a vaga seja tão atraente.
P.S.: Eu sei perfeitamente que esse meu texto de hoje foi um lixo, seja em questão de estilo, organização, vocabulário, foda-se. Não, não vou deixá-lo melhor, esse tipo de situação ridícula é para ser retratado assim mesmo. Aliás, obrigado pela paciência de chegar até aqui. Ser ranzinza é o que há. 